Oito horas. Hora de levantar. Se bem que já era hora de estar a caminho do trabalho.
A rotina me cansa. Acordo e faço mais de vinte itens repetitivos. Grande coisa. Qualquer macaco o faria. Mas tento ignorar meus pensamentos. Chega a hora de sair de casa. E posso afirmar que é das horas mais difíceis do dia. Não sei por que saio. Não sei do que estou correndo atrás. Mas tenho que ir.
Pego minha moto. É uma das horas em que me sinto um pouco livre. Vou todo o trajeto pensando em milhões de coisas. Minha mente vaga longe. Sinceramente, não sei como até hoje não fui parar debaixo de um caminhão. Mas isso não importa. O importante é chegar ao local de trabalho e no horário certo, não é mesmo?
E chegando lá... Bem, quem diz que não sou um artista realmente não me conhece. É preciso ser até mais que um ator nesses casos. Típico de um grande fdp paga-pau. Talvez aí esteja a explicação sobre meus dentes.
Não sentia há muito tempo o prazer que a hora do almoço proporciona. Hora feliz.
Hora em que paro de fingir que estou trabalhando para começar a fingir que estou pronto pra mais uma tarde de teatro.
Infelizmente o tempo não é meu amigo e passa muito, muito lentamente...
Aquele relógio no canto do computador. Acompanho cada minuto de seu tempo. Mas tudo é como deve ser. E é inevitável mudanças em algumas coisas. E como sei que o tempo não para, chega a hora de me despedir de meus macaquinhos de trabalho e voltar para minha Batcaverna. Mas aí sinto algo. Não quero voltar pra um lugar que em algumas horas mais cedo não queria sair. Não entendo. E na maioria das vezes realmente não volto. Mas tenho estudado mais a respeito disso. E me vejo refugiando em coisas que não são o que sou. E sei que não preciso disso para ser feliz. Mas estou aos poucos me adaptando a fazer o que é o certo. E aceitando que em alguma hora, precisarei voltar para casa.

2 comentários:
Das coisas mais difíceis da vida, acho que a mais incisiva é voltar pra casa; nunca sabemos aonde ou onde fica...
Gostei desse !!!
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